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Dairy productsAlguns lactentes, quando ingerem leite de vaca, podem reagir contra as proteínas nele contidas através de uma reacção do sistema imunitário levando a um conjunto de sintomas, que se designa por alergia às proteínas do leite de vaca (APLV).

As proteínas mais frequentemente implicadas na APLV são a caseína, a alfa-lactoalbumina e a beta-lactoglobulina.

Esta alergia nada tem que ver com a intolerância à lactose, como explicado noutro apontamento, pois tem uma causa e tratamento completamente diferentes.

É a principal alergia alimentar das crianças pequenas (cerca de 2% das crianças abaixo dos 4 anos de idade), reflectindo ser o leite de vaca o principal antigénio não homólogo (proteína «estranha» de uma espécie diferente da nossa) com o qual os seres humanos contactam em primeiro lugar em quantidades apreciáveis.

A APLV pode acontecer quando um bebé ingere pelas primeiras vezes leite industrial, por falta de leite materno, ou nas situações de lactentes amamentados exclusivamente quando começam a comer alimentos que contenham leite de vaca na sua constituição, pois quase todos estes produtos são preparados a partir de leite de vaca.

Lembramos também que a APLV pode ocorrer quando as crianças estão exclusivamente com leite materno. A mãe ao ingerir leite de vaca possibilita a passagem de algumas proteínas alergizantes para o bebé.

As manifestações clínicas são muito variadas podendo envolver:

  • reações agudas (em que os sintomas surgem nas horas a seguir ao contacto)
  • reações retardadas (em que a sintomatologia demora dias a aparecer, com resultados de testes habitualmente negativos)

Operando separada ou conjugadamente, estas reações conduzem a sintomatologia:

  • Cutânea: urticária, com inchaço e manchas vermelhas na pele. Dermatite atópica.
  • Intestinal: vómitos, diarreia, sangue nas fezes
  • Respiratória: tosse, pieira etc.

Em casos extremos esta alergia pode mesmo levar à morte.

O diagnóstico baseia-se fundamentalmente na suspeição clínica. Os testes de alergia, no sangue ou cutâneos (prick test), são por vezes negativos.

O tratamento consiste numa evicção completa de proteínas do leite de vaca na alimentação destas crianças, enquanto persistir a alergia.

Para esse efeito, durante esse período, deverá utilizar leites especiais que não contém proteínas de leite de vaca detetáveis pelo sistema imunitário – hidrolisados de proteínas. Estes leites serão a fonte exclusiva quer para consumo direto, quer para preparação de outros alimentos que necessitem de leite.

O desaparecimento da alergia deverá também ser confirmado por um teste de provocação oral com leite de vaca realizado em meio hospitalar para mais segurança. A idade para realizar este teste de tolerância dependerá da forma de manifestação da alergia e do grau de sintomatologia e resultados dos testes sanguíneos.

Felizmente, a maioria das crianças com APLV adquire tolerância espontaneamente com o tempo, o que acontece mais rapidamente nas situações não mediadas por IgE.

Emídio Carreiro – Pediatra
Paulo Coutinho – Pediatra

Revisto em 16-05-2015

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